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Ser diferente faz diferença?

Thais Fernandes

No dia 20 de novembro é comemorado o Dia da Consciência Negra. Nas redes sociais, vimos vários posts que reforçavam a importância da luta contra o racismo e da igualdade social, muitos deles sendo feitos por organizações renomadas. O dia 20 é apenas um exemplo da crescente discussão que se tem tido sobre representação e o papel das organizações de trabalho para fazer uma mudança efetiva acontecer. A revista Isto É foi recentemente criticada pela falta de representatividade na escolha dos “Brasileiros do Ano 2019”, sem nenhum representante negro, por exemplo. Mas, afinal, a diversidade importa?

O Brasil é um país reconhecidamente diverso por seu povo, cultura e crenças; apesar disso, somos também reconhecidos como uma das sociedades mais desiguais do mundo. Então, sim, falar sobre diversidade importa. Além do ponto de vista social, temos um cenário de crescente competição e incertezas, o que faz com que as organizações precisem dar respostas rápidas e inovar, se diferenciando de seus concorrentes para sobreviver. Uma das maiores vantagens competitivas? A equipe de trabalho.


A composição da equipe de trabalho é fundamental. Em busca de um “lugar ao sol” muitas organizações começam a tratar a diversidade e alguns erros são comuns. Algumas falarão sobre diversidade para serem bem vistas, sendo que na prática pouco fazem. A consequência é uma visão negativa do público de fora e também do público interno, acarretando em problemas como rotatividade, cinismo organizacional – uma descrença pelo que a organização faz, e uma reputação que pode ser manchada para sempre. Outro problema comum é promover a contratação de grupos minoritários sem se preocupar com a inclusão – tratamento justo e igualitário para todo o grupo, ou em estratégias de gerenciamento de uma equipe diversa. Pesquisas apontam que uma equipe diversa que não é gerenciada vivenciará conflitos, terá sua integração reduzida e irá aumentar a rotatividade na organização. Essa é a face negativa da diversidade que poucos gestores dão a devida importância, mas que pode trazer consequências e resultados drásticos.


Em um mundo globalizado, a diversidade não é mais uma escolha. As organizações têm, portanto, um papel fundamental nesse tema. Estudos comprovam que uma equipe diversa pode auxiliar a tomada de decisão estratégica, a performance organizacional e é, claro, ajudar a atingir a tão sonhada inovação. Afinal, uma ideia inovadora dificilmente surgirá de um grupo homogêneo composto por pessoas com visões e vivências semelhantes. Os resultados da diversidade geram um grande impacto social – trabalhar de fato a questão da representatividade e da responsabilidade empresarial; como também impactos financeiros – um estudo realizado por uma das maiores consultorias empresariais do mundo mostrou que organizações diversas conseguem ter resultados financeiros mais positivos. E por onde começar? As políticas e práticas organizacionais podem e devem incentivar a diversidade e a inclusão, a partir do respeito às diferenças e às singularidades de cada um.


Ainda temos um longo caminho a ser percorrido para mudar o cenário atual das organizações, composto majoritariamente por brancos e homens – principalmente no alto das hierarquias, mas muito já evoluímos. Nossas diferenças individuais são uma fonte de vantagens e não de entraves, ou seja, ser diferente faz diferença, sempre para melhor. Temos uma participação cada vez maior de negros, mulheres, LGBTIs e pessoas com deficiência, e organizações mais preocupadas em ter uma equipe heterogênea que possa enfrentar os desafios cada vez mais complexos que irão surgir. O debate da representatividade e da diversidade faz-se necessário para nos tornar conscientes das dificuldades atuais e poder agir em prol de uma mudança efetiva, aquela na qual temos respeito e igualdade. As organizações têm grande responsabilidade nesse processo, uma vez que podem impulsionar a economia e oferecer oportunidades mais justas para todos, nos fazendo evoluir como sociedade.


Thais Fernandes

Administradora e Mestranda no Departamento de Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações na Universidade de Brasília

thaisfernandesadm@gmail.com

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